“Seria uma anomalia grande, uma imprudência, uma ânsia de perpetuação no poder”, esbravejou o oposicionista Francisco de Assis Vasconcelos, em entrevista aoUOL Esporte.
O conselheiro faz parte de um grupo de cartolas que acionou o Tribunal de Justiça de São Paulo para anular a reforma estatutária aprovada em 2004 - entre outras medidas, o documento ampliou o mandato de presidente de dois para três anos.
A justificativa para uma possível candidatura de Juvenal é que pela primeira vez ele tentaria se reeleger para um período de três anos. Embora o dirigente já esteja no poder desde 2006, com duas vitórias nas urnas (em 2006 e 2008), o mandato atual seria o primeiro após a mudança de estatuto.
“Foi uma nova carta que entrou em vigência em 2008. As pessoas estão falando em ‘golpe de Estado’ e não tem nada disso. Na primeira vez, ele foi eleito apenas para dois anos. Agora são três, é outro tipo de mandato”, argumentou, em entrevista à Rádio Globo, o ex-presidente Carlos Miguel Aidar, um dos autores do novo estatuto.O imbróglio jurídico foi parar em Brasília. A Justiça da capital paulista deu razão à oposição, e o departamento jurídico do clube recorreu no Supremo Tribunal Federal.
“O Tribunal de Justiça de São Paulo anulou as eleições do atual presidente, todos os atos praticados por ele e as reformas estatutárias. Se ele [Juvenal] achar que pode ser candidato é porque os recursos não tiveram efeito suspensivo”, apontou Vasconcelos, conselheiro no Morumbi e ex-desembargador.
“Tomaremos medidas judiciais compatíveis a isso. É uma situação ridícula, na minha opinião, porque se existe uma decisão que impede a reforma do estatuto deveria ser respeitada”, completou o oposicionista.
Até mesmo aliados de Juvenal contestam uma reeleição com base nessa brecha estatutária – para muitos, uma manobra política.
Antonio Claudio Mariz de Oliveira, um dos 'cardeais' nos bastidores do Morumbi e também um dos líderes do grupo político de Juvenal, telefonou para o mandatário e avisou que prefere ver o vice de futebol, Carlos Augusto de Barros e Silva, como postulante à presidência.
“Liguei para dizer a ele que não apoiaria uma nova candidatura. Por princípios, sou contra mais um mandato. Tem que existir alternância no poder. Disse que não votaria nele”, revelou Mariz, em entrevista à Globo Esporte.
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