sábado, 25 de dezembro de 2010

Oposição do São Paulo critica Juvenal e vê reeleição como uma "anomalia"

O clima político no São Paulo começa a esquentar para a eleição presidencial agendada para abril de 2011. A expectativa gira em torno do atual mandatário Juvenal Juvêncio, que pode tentar se reeleger por mais três anos.Entretanto, caso tome essa decisão, Juvenal terá de aturar as críticas da oposição, além de uma batalha judicial.
“Seria uma anomalia grande, uma imprudência, uma ânsia de perpetuação no poder”, esbravejou o oposicionista Francisco de Assis Vasconcelos, em entrevista aoUOL Esporte.
O conselheiro faz parte de um grupo de cartolas que acionou o Tribunal de Justiça de São Paulo para anular a reforma estatutária aprovada em 2004 - entre outras medidas, o documento ampliou o mandato de presidente de dois para três anos.
A justificativa para uma possível candidatura de Juvenal é que pela primeira vez ele tentaria se reeleger para um período de três anos. Embora o dirigente já esteja no poder desde 2006, com duas vitórias nas urnas (em 2006 e 2008), o mandato atual seria o primeiro após a mudança de estatuto.
“Foi uma nova carta que entrou em vigência em 2008. As pessoas estão falando em ‘golpe de Estado’ e não tem nada disso. Na primeira vez, ele foi eleito apenas para dois anos. Agora são três, é outro tipo de mandato”, argumentou, em entrevista à Rádio Globo, o ex-presidente Carlos Miguel Aidar, um dos autores do novo estatuto.O imbróglio jurídico foi parar em Brasília. A Justiça da capital paulista deu razão à oposição, e o departamento jurídico do clube recorreu no Supremo Tribunal Federal.
“O Tribunal de Justiça de São Paulo anulou as eleições do atual presidente, todos os atos praticados por ele e as reformas estatutárias. Se ele [Juvenal] achar que pode ser candidato é porque os recursos não tiveram efeito suspensivo”, apontou Vasconcelos, conselheiro no Morumbi e ex-desembargador.
“Tomaremos medidas judiciais compatíveis a isso. É uma situação ridícula, na minha opinião, porque se existe uma decisão que impede a reforma do estatuto deveria ser respeitada”, completou o oposicionista.
Até mesmo aliados de Juvenal contestam uma reeleição com base nessa brecha estatutária – para muitos, uma manobra política.
Antonio Claudio Mariz de Oliveira, um dos 'cardeais' nos bastidores do Morumbi e também um dos líderes do grupo político de Juvenal, telefonou para o mandatário e avisou que prefere ver o vice de futebol, Carlos Augusto de Barros e Silva, como postulante à presidência.
“Liguei para dizer a ele que não apoiaria uma nova candidatura. Por princípios, sou contra mais um mandato. Tem que existir alternância no poder. Disse que não votaria nele”, revelou Mariz, em entrevista à Globo Esporte.

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